sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

TEMPO e AÇÃO ou, FELIZ ANO NOVO!





I
Apesar do valor relativo do novo período anual e de um estado de torpor a que muitos ficam sujeitos é, contudo, indiscutível, que nossas ações foram convencionalmente organizadas em face dele e que, apesar de sua inconsistência histórica, marca mesmo o tempo geral (ocidental) das ações individuais, sociais, privadas e públicas. Refiro-me, aqui, ao mal explicado calendário gregoriano.
II
Mas, temos outros calendários, como, por exemplo, o calendário dos povos pré-colombianos, o calendário babilônico, o calendário egípcio, o calendário judaico (hebraico), o calendário chinês, o calendário islâmico, apenas, para citar alguns poucos.
III
Em qualquer deles, do ponto de vista comparativo, ou mesmo em aspectos internos de cada um, como, por exemplo, o calendário judaico, no qual temos três anos novos (o das árvores em Israel “chamisha assar be-Shevat, o religioso “Nissan/Pessach” e o civil “Tirshrei/Rosh Hashana), encontramos sinais gerais de “oportunidade” ou, na expressão italiana, de “fortuna”. Daí que “buona fortuna” nos indica, não uma ilusão ou fantasia, mas o preparo para enxergar a “ocasião”. Há um tempo maior, infinito, no qual se encontra este tempo menor, finito, com o qual tentamos certo controle e contagem.
IV
Ao calendário gregoriano que não resiste muito a uma superficial análise histórica e científica, mas, efetivamente adotado, então, pela civilização ocidental, chamamos simplesmente de “calendário da era comum”. Pode-se dizer, então, 2010/2011 e.c. (2010/2011 da era comum).
V
Afastadas quaisquer análises transcendentais, místicas ou religiosas, sobretudo, aquelas que colocam nas mãos do tempo uma bandeja com “graças” e “bênçãos”, simplesmente porque milhares de encontros, brindes, rezas e orações resultaram não mais do que na morte de, igualmente, milhares de perus e franguinhos, podemos, ao menos, concordar que se trata de um específico novo período. Um tempo que se faz anteceder de uma parada, de um recesso na lufa-lufa e em outras atividades, sejam ou não meritórias.
VI
Podemos, também, mudar o referencial, já que todas as atividades festivas não melhoraram o mundo nem aperfeiçoaram as relações interpessoais e, provavelmente, por si mesmas, não melhorarão em nada, pois a cordialidade, a gentileza e certo senso de fraternidade, nestas festas, começam, duram e terminam, quando muito, em um minuto de fogos de artifício que enchem o espaço de luminosidade multicolorida, em qualquer parte do mundo.
VII
Mudemos o referencial! Não é o novo tempo que traz algo de especial, de luminoso ou de riqueza. O tempo em si já é a "coisa" boa, seja ele o tempo anual, mensal, semanal ou diário - seja, ainda, o tempo reduzido a horas, minutos e segundos. O tempo sempre é a oportunidade: a terra fértil que convida a semente; a lousa que convida o giz; o intervalo que convida o café; a dilatação das pupilas que convida o amor; o livro que convida a leitura; os lábios que convidam o beijo.
VIII
O tempo é como o novelo de linha para ser trabalhado pelas hábeis mãos na realização do tapete, do tecido e da roupa. O tempo é a folha branca com pentagramas esperando o músico, o compositor, lançar ali as notas musicais e transformá-la em partitura. É a pedra bruta diante dos olhos do escultor. O tempo, assim como a terra, a lousa, o intervalo, a dilatação das pupilas, o livro, os lábios, o novelo de linha, a folha com pentagramas e a pedra bruta, apenas se oferece à ação determinada de quem age - a ação do semeador, do mestre com o giz, do que toma a xícara com a mão esquerda, do amante, do ledor, do que beija, da tricoteira, do musicista e do artista.
IX
O tempo não traz coisa alguma, não esconde mistério algum nem abençoa mais este que aquele. É absolutamente inútil esperar, com místicos ou filmes, uma resposta ou uma fala do tempo. O tempo não é uma boca falante, apenas um ouvido para escutar. Não é um vaso repleto de doces e novidades, apenas a argila esperando ser feito em vaso! O tempo é a tela esperando a tinta.
X
Enquanto isso, perdidas, milhares de pessoas esperam ouvir algo ou receber algo, mas, o tempo espera ouvir algo ou receber algo. E outras milhares buscam seus livros esotéricos, códigos secretos, filmes de impacto, datas de destruição cósmica ou lutas apocalípticas. E, buscam, ainda, gênios e lâmpadas, vigílias de oração e preces e, finalmente, abrem livros sagrados e põem seus dedos indicativos a esmo a fim de encontrar uma palavra, uma mensagem ou qualquer coisa que lhes diga respeito. Eis o tempo: a terra, a lousa, o intervalo, a dilatação das pupilas, o livro, os lábios, o novelo de linha, o ouvido, a argila e a tela!
XI
Então, podemos avançar para a realização! Podemos ser proativos! Podemos manusear o tempo - qualquer tempo! Podemos buscar - e encontrar - a referência maior, a sabedoria, o entendimento, o conhecimento, o rigor, a bondade, a beleza, a gloria, a eternidade e o fundamento e, simplesmente, reinar como humanidade, em um estado de absoluta paz e vida!
XII
E, então, o que podemos fazer a respeito?

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New York, USA, 25 dicembre 2009

© Pietro Nardella-Dellova. É Professor e Consultor de Direito. Mestre em Direito pela USP. Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. Pós-Graduado em Direito Civil e em Literatura. Formado em Direito e em Filosofia. Mestre na Sinagoga Scuola. Membro da UBE – União Brasileira dos Escritores. Autor das Obras: AMO (89), NO PEITO (89), ADSUM (92) e FIO DE ARIADNE (org./co-aut., 94), A PALAVRA COMO CONSTRUÇÃO DO SAGRADO (98), A CRISE SACRIFICAL DO DIREITO (2001) e, agora, do A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS, SP: Ed. Scortecci, 2009, 312 p.. (obras disponíveis pela Livraria Cultura http://www.livrariacultura.com/)
Confira mais no Blog Café & Direito http://nardelladellova.blogspot.com/
e para contactar utilize o e-mail: professordellova@libero.it*

4 comentários:

  1. FELIZ ANO NOVO!

    MUITA SAÚDE, SUCESSO, AMOR E PAZ!

    BJS!

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  2. Felicidades hj e sempre!

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  3. Valquíria Bitencourt31 de dezembro de 2010 14:17

    Mille, que em 2011 vc conquiste todos os seus sonhos.
    Bjs!

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